quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

06 - 01 Epifania

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06-01 - Epifania

Os Reis vieram e se acabou a festa
agora tudo é normal,
ano que começa
no Brasil? Depois do Carnaval.

Os Reis já não passam na terra invadida pelo Papai Noel
Doces e balas? Pra poucos são, assim como dinheiro de papel
o dinheiro eletrônico, o dinheiro os clics, a moeda, o vil metal
Curioso como Natal rima com metal e Noel com papel.

Tanto papel de presente rasgado
Tanto papel moeda usado
Feliz para as crianças maltrapilhas da periferia
E os políticos bem centrados em suas alegrias

Lá nas lendas de raízes grandes, ou na realidade curta como a grama
um judeu é adorado, depois adornado e por fim assassinado
de morte matada, as antípodas de Mitra, é a glória da humanidade

Outro judeu, só de sangue - como se fora pouco - , escreve
Tenta negociar até com uma estátua, pra foto sair divertida
pra passar a perna na estátua como muitos fazem com sua vida
Tenta fazer da existência uma escola sacra, ara pax de ferida

Queima no fogo ancestral as fotos da minha memória sépia
Vive na pira atual o fogo da minha vida épica
Épica como várias vidas de luz e escória
Como a do Deus Judeu
Como a dos Reis Magos
Como a do mercador
Como a do comprador
Como a de qualquer que tem dor
Um presente para mudar seu futuro, ou três.
Ouro, incenso e mirra?

Brilho dourado do nascer
Incensário no odor da vida que queima lenta
Mirrado fedor escondido da morte: são as tintas de papiros por esquecer e relembrar.

Até os presentes do Deus mais humilde não foram nada humildes...

A Sagrada Família gastou este ouro em que?
Esse incenso foi o primeiro a ser queimado quando chegaram os reis magos nos estábulos da gruta fedorenta?
A mirra virou objeto de embalsamamento de José?
Maria e Jesus não, estes nem federam, não lhes deu tempo de terminar como humanos que foram.

Epifanias, se não as matas, te matam ou criam longas e pouco úteis histórias.


Foto: Catedral da Nossa Senhora em Luxembourg, uma estátua e eu tentando fazer graça.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

pequena poesia em espanhol e sem título

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Do caderninho, um escrito de antes:


ah, romanos, los romanos

NO ESCRIBIAN EN MINVSCULAS

estaban como chotas



Foto: alto-relevo mostrando romanos levando botim da guerrra contra os judeus, no Arco de Tito. Imagina ter um arco do triunfo depois de morto? Mas a vitória, o triunfo e, muito provavelmente a glória já tinham entrado antes, em Roma, junto com ele... prefiro esta visão dos olhos de Tito que a nossa que só enxerga o seu arco póstumo.
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sábado, 19 de dezembro de 2009

E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho

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Há coisas que acontecem na vida onde uma música ou uma poesia batida se encaixam perfeitamente, fazendo possível a revisão do mundo e dissolvendo o tempo.
É a vez da Lisboa revisitada. Álvaro de Campos, sou eu um dos moços de frete.


Lisbon Revisited - 1923 - por Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)—
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a
Sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seia de companhia!

Ó céu azul -o mesmo da minha infância
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ô mágoa revisitada,
Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz!
Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho.


Fonte: AQUI (em português) e AQUI (en español)


Foto: de uma foto em uma exposição na Casa Pessoa, Lisboa. Se trata da Rua de São Paulo, nº117 - Neste edifício funcionavam os escritórios da firma Toscano & Cruz, Lda., onde Fernando Pessoa foi correspondente a partir de 1920.

Lisboa - Portugal
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Esta partida

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Esta partida, si no la gano la pierdo.

Esta partida,
como la mismísima vida,
si no la gano
,con ganas,
la pierdo
como mañana
no vivida.

Para Javi e para minha partida.

Foto: concerto do Joaquim Sabina, em Salmanca, faz dez dias.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Némesis y Gibraltar

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Siempre hago mis críticas a Latino América basadas en la falta de unión de sus países, ejemplificando que muchas veces damos la espalda a nosotros mirando con admiración a Estados Unidos, Canadá, Europa y Japón.
Es natural admirar los países en los cuales la economía y el nivel de vida les va bien. Es más idílico estar en Champs-Élisées que en un campo de batalla.
Pero hoy he leído una nota en el "libertad digital" sugerida por un amigo via facebook. Se trata de conflictos entre la Royal Navy (inglesa) y la Guardia Civil (española) en las aguas de Gibraltar.
En el mensage que he dejado a mi amigo expongo como es ridícula esta situación, y todo por arrogancia. El Reino Unido no necesita más de Gibraltar para garantizar el pasage de las mercancías para el Mar Mediterráneo. El império donde el sol nunca se pone ya no existe más (ni el español ni el inglés)...El sol no se pone jamás en internet, en la red de buques que llevan y traen mercancías. El nuevo império es de la información y del comércio. Cuando se trata de naciones, bueno, ya sabéis: "todo império perecera".
Los conflictos en Gibraltar es fruto de una arrogáncia que asola la sociedad occidental y Europa es la madre de esta sociedad y forma de pensar. Eso causó dos grandes guerras en el siglo pasado. Habrá una tercera guerra en el siglo XXI? El desequilíbrio de poderes internacionales se hace cada vez más patente, pero que haya desacuerdo entre España y Inglaterra por Gibraltar? El tratado de Ultrecht (donde Inglaterra tomó Gibraltar y Menorca de España) es algo de una época lejana y que no debería, ni por asomo, estar en la pauta de resolución de conflictos de los países de la Unión (unión?) Europea.
Conclusiones: no es la falta de unión que hace que un país (como nación) salga adelante y si sus condiciones históricas (estar en el sitio correcto, en la hora correcta y que el pueblo o la elite (quien esté en el poder) tomen las decisiones correctas en relación a otros países y garantizen la paz interna y libertad de sus ciudadanos.
Me sorprende la arrogancia entre europeus después de la segunda guerra, ya que su arrogancia (en general) hacia al mundo no deja de ser verdad.
Gibraltar es española. Bueno, si no lo es deberia serla, que Némesis tenga piedad de tamaña "english hubris".

La notícia en Libertad Digital España, AQUI.

Figura: Némesis de Alfred Rethel
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Trabant e a Ostalgie

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Na comemoração de vinte anos da unificação da Alemanha, ainda existem aqueles com uma espécie de saudade alemã do leste: Ostalgie! Esta palavra nada mais é que uma fusão da palavra ost (leste em alemão) e nostalgia, traduzida como uma onda de saudosismo da época comunista.
A Alemanha, que é o país europeu mais potente de hoje, consegue ter uma mulher como chanceler (Angela Merkel) e um homem assumidamente gay como seu vice
(Guido Westerwelle). O mais impressionante: são, os dois, do partido dos conservadores!
Este país está, sem dúvida, anos a frente de toda Europa, e possivelmente de todo o mundo!

Foto: Trabant, o carro de modelo único da Alemanha Oriental Comunista... símbolo da Ostalgie! Compacto, rápido e ligeiro era também duradeiro.
Trabant em alemão significa"compaheiro viajeiro"; popularmente e carinhosamente os chamavam Trabbi
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domingo, 8 de novembro de 2009

Recital en la habitación

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Javi recita poesia española antes que veamos Amadeus...
Pongo una graciosa, dentre tantas que ha leído... es del misantropo Francisco de Quevedo y luego otras dos de poetas indicados.


DON DINERO

Poderoso caballero
es don Dinero.

Madre, yo al oro me humillo,
él es mi amante y mi amado,
pues de puro enamorado
de continuo anda amarillo;
que pues, doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
poderoso caballero
es don Dinero.

Nace en las Indias honrado
donde el mundo le acompaña;
viene a morir en España
y es en Génova enterrado;
y pues quien le trae al lado
es hermoso aunque sea fiero,
poderoso caballero
es don Dinero.

Es galán y es como un oro;
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
poderoso caballero
es don Dinero.

Son sus padres principales,
y es de noble descendiente,
porque en las venas de oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
poderoso caballero
es don Dinero.

Mas ¿a quién no maravilla
ver en su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
doña Blanca de Castilla?
Pero pues da al bajo silla,
y al cobarde hace guerrero,
poderoso caballero
es don Dinero.

Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismos robles
da codicia su minero,
poderoso caballero
es don Dinero.

Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos;
y pues él rompe recatos
y ablanda al juez más severo,
poderoso caballero
es don Dinero.

Y es tanta su majestad,
aunque son sus duelos hartos,
que con haberle hecho cuartos,
no pierde su autoridad;
pero, pues da calidad
al noble y al pordiosero,
poderoso caballero
es don Dinero.

Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas;
y pues hace las bravatas
desde una bolsa de cuero,
poderoso caballero
es don Dinero.

Más valen en cualquier tierra
mirad si es harto sagaz,
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra;
y pues al pobre le entierra
y hace propio al forastero,
poderoso caballero
es don Dinero.


CONFUSIÓN Y VICIOS DE LA CORTE POR DIEGO DE TORRES Y VILLARROEL

Mulas, médicos, sastres y letrados
corriendo por las calles a millones,
duques, lacayos, damas y soplones,
todos sin distinción arrebujados.
Gran chusma de hidalguillos tolerados,
cuyo examen lo hicieron los doblones,
y un pegujal de diablos comadrones,
que le tientan la honra a los casados;
arrendadores mil por excelencia,
metidos a señores los piojosos,
todo vicio con nombre de decencia,
es burdel de holgazanes y de ociosos,
donde hay libertad suma de conciencia
para idiotas, malsines y tramposos.
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LOS DOS CONEJOS por TOMÁS de IRIARTE

Por entre unas matas,
seguido de perros,
no diré corría,
volaba un conejo.
De su madriguera
salió un compañero
y le dijo: «Tente,
amigo, ¿qué es esto?»
«¿Qué ha de ser?», responde;
«sin aliento llego...;
dos pícaros galgos
me vienen siguiendo».
«Sí», replica el otro,
«por allí los veo,
pero no son galgos».
«¿Pues qué son?» «Podencos.»
«¿Qué? ¿podencos dices?
Sí, como mi abuelo.
Galgos y muy galgos;
bien vistos los tengo.»
«Son podencos, vaya,
que no entiendes de eso.»
«Son galgos, te digo.»
«Digo que podencos.»
En esta disputa
llegando los perros,
pillan descuidados
a mis dos conejos.
Los que por cuestiones
de poco momento
dejan lo que importa,
Ilévense este ejemplo.

FIGURA: QUEVEDO.