quinta-feira, 30 de abril de 2009

Unlucky strike ... never more

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Hoje eu tenho duplo presente. O primeiro é a anunciação pública que recebi minha alma de volta. O segundo presente na verdade é uma ausência, uma ausência que me destruiu em forma de prazer insastisfatório. Porque fazer isso público? Para afirmar meu propósito e fazer uma despedida. Fumei em público e deixo de fumar publicamente.
Luta de mais de década, mais de década e meia, mais que a metade da minha vida. E agora tenho toda uma vida nova abençoada pela frente.
Lucky Strike... golpe de sorte ... chegou a hora de dar chance a novos ares, menos impolutos e mais prazeirosos ainda.
Amém, e obrigado Deus.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Anjo de uma só asa

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Anjo de uma só asa

Quem é você
da voz aveludada?
Sua pele é morena
e seu breu de fachada?

Minha pele é branca
mas também quase parda.
Meu breu comigo se levanta
e me desperta na hora errada.

Insone eu perambulo pela casa
,depois tento dormir,
mas é tarde demais pro sono (pra dormir?)
já esta aberta minha asa

E vou voando aseta
com uma só asa
te dou de presente a minha letra
por sorver-te um pouco a alma.

Vinícius Rocha Leão

Figura: "One wing" (Uma asa) by Pam Carriker ... retirado daqui.

O blog dela AQUI.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cigarros

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Hoje eu dedico este espaço a um vício difícil de deixar, a grande vingaça despropositada dos peles vermelhas das américas contra o homem branco - e pretos, amarelos, azuis etcs... - Nicot e seus amigos portugueses levaram a erva pra Europa e no século XVI, o tabaco já cairia nas graças dos europeus... diziam que aromatizavam os ambientes, nem quero imaginar estes pomposos ambientes europeus desaromatizados ...
Mas saindo da história e chegando à realidade de hoje:
Depois de anos, será que vai ser uma luta - mais uma - inglória?
Não quero dizer nada, só não quero dissabores maiores no futuro que de tão incerto, dá até receio de viver doenças jamais imaginadas.
Saindo ou não do vício, deixo este registrado no blog minha vontade de fazê-lo.
Abaixo, as imagens das caixas de cigarros brasileiras e seus decorados realistas e tão ignoradas por nós que fumamos.

Acima:
Vincent van Gogh, Esqueleto fumando um cigarro, 1886
Óleo s/tela, 32 X 24.5 cm
Museu Van Gogh , Amesterdam (Amsterdão no português de Portugal... como ficam estas partes da língua segundo a nova regra?), Holanda


Abaixo, finas e cruéis (com acento, ainda.. hehe) estampas:

A primeira série deste tipo de contra-publicidade feita no Brasil:



E a segunda série, saída neste mês, que ao meu parecer tem imagens bastante mais chocantes e argutas, seguem à risca a proposta que lhe foi incumbida:


(clique na imagem para aumentar)

e pra terminar:

"O cigarro é o protótipo perfeito do prazer perfeito. É delicioso e ao mesmo tempo nos deixa insatisfeitos. Que mais se pode querer?"

Oscar Wilde

Oscar, querido póstumo, será que o prazer perfeito nos dilacera e nos causa morte dolorida, e que vemos nosso apodrecer ou nossa insuficiência como seres vivos? Talvez sim
!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Tragédias?



"Todas as tragédias que se podem imaginar reduzem-se a uma mesma e única tragédia: o transcorrer do tempo"

Simone Weil
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Vanitas

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VANITAS

Quero folhas de louro ornando cada letra
poderiam ser folhas de ouro
e não quero brilho que fica fosco,
quero vitória nesta vida de palavras

os derrotados
são tendencialmente inglórios

mas apesar de tudo, tudo é
vertido no lixo de preciosidade humana,
sabor de triunfo que perece


Vinícius Rocha Leão

As figuras são representações de Vanitas por:
acima: Pieter Claesz
abaixo: Hendrik Andrieszen


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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Boda da vida e da morte na existência

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Gosto desse "natal" do João Cabral, deste sentido de renascer e ver o inverso da coisa. Com o tempo a gente aprende de tudo, mas definitivamente, o mais grande aprendizado está no ato de calar-se. Do ferro comer a ferrugem, do sim comer o não. Tenho que ver a vida comendo a morte e a morte arrotando a vida ...


Cartão de Natal - João Cabral de Melo Neto


Pois que reinaugurando essa criança

pensam os homens

reinaugurar a sua vida

e começar novo caderno,

fresco como o pão do dia;

pois que nestes dias a aventura

parece em ponto de voo, e parece

que vão enfim poder

explodir suas sementes:

que desta vez não perca esse caderno

sua atração núbil para o dente;

que o entusiasmo conserve vivas

suas molas,

e possa enfim o ferro

comer a ferrugem

o sim comer o não.


Foto do Xavier Thomas na Capela dos Ossos, Évora - Portugal
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz

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O Que É, O Que É?
Gonzaguinha

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...

E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...

Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...

Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...

Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Batida a música, não? Mas me veio na cabeça e me martelou por toda a manhã.
Como dizem por ai, samba sem um pouco de tristeza não é samba... e este sambinha é dos melhores! Tem um outro dele também que gosto muito: "O que é o que é".
"É bonita", como renomearam a música popularmente está no youtube com um "power point" desses que parecem de email, mas tá valendo... ouçam aqui.

Queria fazer coisas mais elaboradas, mas tenho pouco tempo e muita preguiça pra isso.

Imagem: Tirada de tourlines turismo.

domingo, 19 de abril de 2009

Tamanduá amigo



Poesia para meu sobrinho Rodrigo

Tamanduá Amigo

Tamanduá amigo
não faça isso comigo
deixa de descaso
e me dá um abraço

Tamanduá amigo
olha só o Rodrigo
trouxe algo consigo
,coisa linda,
é uma torta de formiga

Vinícius Rocha Leão

Imagem tirada daqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fogo divino

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Fogo divino

Eu sou um Serafim
e vou dar tapas
nas caras coradas dos anjos.

Eu vou descer ao planeta
e, com papel e caneta,
escreverei sobre o mundo e seu fim.

Vou guardar, velado,
o mais podre humano,
o mais triste e chagado,
justo aquele que engana,
só pra provar aos meus
que dali mesmo emana
a pura essência de Deus.

Vinícius Rocha Leão
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terça-feira, 14 de abril de 2009

Quatro Haicais - Bashô numa tradução de Manuel Bandeira

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Bashô - (tradução de Manuel Bandeira)

Quatro Haicais



Quatro horas soaram

Levantei-me nove vezes

Para ver a lua.



Fecho a minha porta.

Silencioso vou deitar-me

Prazer de estar só



A cigarra... Ouvi:

Nada revela em seu canto

Que ela vai morrer



Quimonos secando

Ao sol. Oh aquela manguinha

Da criança morta!


Imagem: www.olhares.aeiou.pt
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

As rosas não falam

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Estava lendo sobre o Cartola, algumas fontes dizem que o Nelson Golçalves o descobriu e outras que foi o Stanislaw Ponte Preta que o "lançou", referindo-se a uma "redescoberta" do gênio lavando carros e vigiando-os depois de escrever lindos versos e ter fundado a escola de samba Mangueira.
Fiquei vendo e imaginando sua vida, suas coisas, sua maneira de fazer cara ao mundo. O mundo é mesmo um moínho, as rosas não falam - por vezes, as rosas internas querem berrar - e o ser humano sofre, sofre e sofre para deixar um recado, por mais mísero que seja - muitas vezes oferecedor de grande sabedoria - ou mesmo uma máxima, um aforismo transformado em cicatriz na superfície da nossa vida.
Qual a raíz dos aforismos das superfície da nossa vida?
Já dou a resposta: os dias que conseguimos viver de verdade.
Deixo rosas para os que querem se ver circundados de rosas. Lembro-me de Byłam Różą cantado pelo Bregovic e pela Kayah. Queremos sempre rosas, embora o mais comum de se encontrar na vida são espinhos. Por isso, cuidemos nos nossos pés neste caminho de cravos pontiagudos, diminutos ou não. Não pisemos na nossa dor, nem na alheia, façamos a cobrição do mundo com pétalas de rosas olentes.
Agora deixo uma música-poesia do grande mestre carioca (procurem-na no youtube):


As Rosas Não Falam
Cartola


Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão,
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim
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